A ideia de um monumento religioso no alto do Corcovado é atribuída ao padre lazarista francês Pierre-Marie Boss, inspirado pela vista da montanha a partir de Botafogo. O projeto ganhou força nos preparativos para o centenário da Independência: o Círculo Católico escolheu o Corcovado, preterindo o Pão de Açúcar e o Morro de Santo Antônio, e, em 1922, mais de 20 mil mulheres, lideradas pela escritora Laurita Lacerda, entregaram um abaixo-assinado ao presidente Epitácio Pessoa, que autorizou a obra e cedeu o cume à Arquidiocese do Rio de Janeiro. A pedra fundamental foi lançada naquele mesmo ano.
O projeto escolhido foi o do engenheiro Heitor da Silva Costa. A primeira versão, um Cristo com uma cruz e um globo nas mãos, recebeu críticas, e Dom Sebastião Leme pediu uma imagem de maior significado religioso, visível a grandes distâncias. Surgiu então a figura de braços abertos em forma de cruz, esboçada com o pintor Carlos Oswald. Em 1924, em Paris, Silva Costa contratou o escultor Paul Landowski para a maquete e para a cabeça e as mãos em tamanho real, com a colaboração do engenheiro Albert Caquot, especialista em concreto armado; o rosto foi criado pelo artista romeno Gheorghe Leonida.
A construção, entre 1926 e 1931, foi financiada por doações do povo brasileiro, mobilizadas por uma campanha lançada em 1923. A estrutura de concreto armado recebeu um mosaico de milhares de triângulos de pedra-sabão, vinda de Carandaí, em Minas Gerais, colados à mão sobre faixas de tecido por voluntárias — muitas escreveram no verso os nomes de familiares. A Estrada de Ferro do Corcovado, inaugurada por D. Pedro II em 1884 e eletrificada em 1910, transportou as peças. A inauguração ocorreu em 12 de outubro de 1931, dia de Nossa Senhora Aparecida.
Desde então, o monumento recebeu visitantes como o papa João Paulo II, em 1980, e ganhou melhorias de acesso, como elevadores panorâmicos e escadas rolantes. Em 2006, ao completar 75 anos, foi erigido Santuário Arquidiocesano; em 7 de julho de 2007, foi anunciado em Lisboa, após votação popular, como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo; e, em 2012, o Corcovado passou a integrar a paisagem carioca inscrita como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
O Cristo Redentor é também um espaço de fé, que o Santuário apresenta como o primeiro santuário a céu aberto do mundo. Todos os dias, entre 7h30 e 8h, um sacerdote conduz o Rito de Abertura com uma bênção aos visitantes, e as missas são celebradas diariamente na Capela de Nossa Senhora Aparecida ou na esplanada diante do monumento, conforme o clima. Batizados, casamentos e peregrinações são agendados pela secretaria do Santuário.
No peito da estátua, um discreto coração de 1,30 m — a única parte revestida de pedra-sabão projetada para o interior — representa o Sagrado Coração de Jesus, ao qual o Brasil foi consagrado no dia da inauguração. Ao longo do ano, o monumento recebe iluminações especiais associadas a campanhas e eventos, e a UNESCO destaca o alto reconhecimento mundial das imagens do Rio que reúnem a baía, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor.
O entorno guarda outra história notável. Em 1861, D. Pedro II declarou protetoras as florestas da Tijuca e das Paineiras e deu início ao reflorestamento, conduzido pelo major Manuel Gomes Archer com o trabalho de 11 pessoas negras escravizadas — Maria, Eleutério, Constantino, Manoel, Mateus, Leopoldo, Sabino, Macário, Clemente, Antônio e Francisco. Em 13 anos, mais de 100 mil árvores foram plantadas. A área tornou-se parque nacional em 1961 e hoje abriga uma extensa floresta urbana replantada.