As obras começaram entre 70 e 72 d.C., sob o imperador Vespasiano, logo a leste do Palatino, em terrenos da Domus Aurea, o palácio de Nero. O lago artificial que centralizava o complexo foi drenado para dar lugar a um anfiteatro público — escolha tão simbólica quanto prática. O nome popular, Coliseu, deriva de uma estátua colossal que se erguia nas proximidades.
Tito, filho e sucessor de Vespasiano, inaugurou o edifício em 80 d.C., com cem dias de jogos, e Domiciano concluiu o nível mais alto em 82 d.C. Os subterrâneos, construídos em madeira para a inauguração, foram refeitos em alvenaria sob Domiciano. Em 217, um incêndio danificou gravemente o monumento, que permaneceu fechado até 222.
Segundo o Parco archeologico del Colosseo, a abolição dos jogos de gladiadores por Valentiniano III, em 438, deu início a um lento declínio. Na Idade Média, o anfiteatro abrigou moradias e oficinas e chegou a ser transformado em fortaleza pelas famílias Frangipane e Annibaldi; entre a Idade Média e o Renascimento, serviu também de pedreira, e parte de seus materiais foi usada na construção da Basílica de São Pedro.
Terremotos, raios, vandalismo e poluição deixaram marcas profundas: os assentos de mármore e os revestimentos decorativos desapareceram. O fascínio da ruína atraiu escritores e artistas românticos e abriu caminho, no século XIX, para escavações sistemáticas e os primeiros esforços de preservação; nos anos 1990, o monumento passou por um novo projeto de restauração. Em 1980, o Centro Histórico de Roma entrou na Lista do Patrimônio Mundial; em 2007, o Coliseu foi eleito uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo.
Mais que uma arena, o Coliseu espelhava a sociedade romana. O público entrava por 76 arcos numerados — em 29 deles, no lado norte, a numeração ainda é visível — e ocupava a cavea segundo uma rígida hierarquia: do camarote imperial e dos assentos dos senadores, junto à arena, aos bancos de madeira da plebe, no alto. Um enorme toldo retrátil, o velário, manobrado por marinheiros, protegia os espectadores do sol.
Na programação, alternavam-se caçadas de animais e combates de gladiadores; batalhas navais encenadas marcaram as celebrações da inauguração, antes que a arena de madeira fosse substituída por alvenaria. Apesar da crença popular, não há certeza de que a arena tenha sido palco do martírio de cristãos, ressalta a Britannica. Na arquitetura, a sobreposição das ordens dórica, jônica e coríntia na fachada tornou-se referência para a codificação renascentista das ordens clássicas.
Símbolo vivo de Roma, o anfiteatro estampa a face italiana da moeda de 5 centavos de euro e é cenário da Via-Sacra da Sexta-feira Santa presidida pelo Papa. Periodicamente, recebe exposições temporárias sobre a Antiguidade e seu diálogo com o presente, além de espetáculos contemporâneos.